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Sucesso
de Eminem na música e nas telas evoca história de Elvis
Tinha
tudo para dar errado. Primeiro, porque os tempos têm sido cruéis
com músicos que se arriscam como atores. Basta ver o que aconteceu
com Mariah Carey, em "Glitter" -que virou cult de tão
ruim e não rendeu nem US$ 10 milhões-, e com Madonna.
Segundo,
porque o protagonista é adorado por seus fãs e odiado por
seus detratores com a mesma intensidade. Mas "8 Mile" veio,
viu e venceu. O filme, que romanceia a vida do rapper Eminem e traz o
próprio no papel principal, estreou sexta passada nos EUA batendo
recordes e sendo bem recebido pela crítica.
É
a segunda maior bilheteria de estréia de um filme com classificação
"R" (menores de 17 anos só entram com os pais): US$ 54,5
milhões no primeiro fim de semana, US$ 3,5 milhões a menos
que o recorde de "Hannibal".
Analistas
de Hollywood estão quebrando a cabeça tentando entender
o fenômeno. Um dos motivos, dizem, é o fato de a trilha sonora
já estar sendo vendida semanas antes da estréia, o que ajudaria
a pavimentar o caminho que levou ao sucesso do filme.
Realmente,
"8 Mile", a trilha, entrou na sua segunda semana em primeiro
lugar entre os mais vendidos nos EUA, com 1,2 milhão de cópias.
O sucesso puxou as vendas até do CD anterior do rapper, "The
Eminem Show", lançado no começo do ano, que fechou
a semana em oitavo.
É
a primeira vez na história que um mesmo artista está em
primeiro lugar nas bilheterias de cinema e nas vendas de CD e, de quebra,
tem outro disco entre os dez mais. "É o novo Elvis",
disse o escritor Jack Mathews, especializado em indústria cultural.
O
argumento de Mathews faz sentido. Assim como o rapper de 30 anos, Elvis
Presley (1935-1977) também se apropriou de um ritmo negro e fez
sucesso entre os brancos.
Igualmente,
ele era acusado de ser um corruptor da juventude e fez sua estréia
nos cinemas depois de ser sucesso na música (em 1957, com o western
"Love me Tender"). A diferença é que Elvis fez
40 filmes depois disso, e Eminem diz que vai parar por aqui.
Se
não parar, afirmam os analistas, é melhor que se mire no
exemplo de outros músicos que viraram atores de renome, como Will
Smith e Mark Wahlberg. "Ele tem de ter cuidado para não se
intoxicar com o sucesso de "8 Mile" e aceitar qualquer coisa",
disse John Shaw, presidente da Movieline International.
Ele
tem razão, pois o outro motivo apontado para o sucesso de "8
Mile" é a direção segura de Curtis Hanson, o
mesmo de "Los Angeles - Cidade Proibida" e "Garotos Incríveis",
que fez de "8 Mile" um filme interessante mesmo para quem não
é fã do rapper. Os brasileiros poderão conferir a
partir de 14 de fevereiro de 2003.
SÉRGIO DÁVILA da Folha, em Nova York
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